Em Toledo, no oeste do Paraná, o redimensionamento de terraços com apoio de geotecnologias reduziu a erosão e triplicou a capacidade de armazenamento de água, segundo a Embrapa Soja. O trabalho foi realizado em parceria com a Itaipu Binacional.
As estruturas ajudam a controlar a erosão e a infiltrar água no solo. Em outubro de 2017, chuvas na bacia hidrográfica de Toledo provocaram transbordamentos nos terraços e perdas de solo, o que evidenciou problemas no sistema.
A Embrapa Soja e a Itaipu conduziram a intervenção em 115 hectares da bacia. A eficiência dos terraços redimensionados foi acompanhada entre 2019 e 2024, período em que a área registrou chuvas superiores a 30 milímetros por dia sem sinais de erosão ou sulcos.

Os pesquisadores Júlio Franchini e Henrique Debiasi participaram dos estudos, que tratam tanto do dimensionamento das estruturas quanto do diagnóstico de sua condição. A região analisada apresenta condições semelhantes às de cerca de 2 milhões de hectares no Paraná.
Geotecnologias identificaram falhas nos terraços
Em outubro de 2017, a bacia hidrográfica de Toledo registrou precipitação de 160 milímetros em cerca de 18 horas. Segundo a Embrapa Soja e a Itaipu Binacional, o episódio provocou transbordamentos e uma perda estimada de 7.500 metros cúbicos de solo, evidenciando limitações nas estruturas existentes.
A avaliação tradicional da eficiência dos terraços considera principalmente altura e largura. O pesquisador da Embrapa Soja Júlio Franchini afirmou que esses critérios geométricos, por si só, não explicavam o funcionamento das estruturas em campo nem garantiam proteção diante de chuvas extremas.
Para aprimorar o diagnóstico, o trabalho integrou a taxa de infiltração de água no solo, modelos digitais de elevação e Sistemas de Informação Geográfica (SIG). De acordo com Franchini, a combinação de parâmetros hidrológicos e ferramentas digitais permite avaliar o dimensionamento com foco na redução dos efeitos da erosão hídrica.
A análise também considerou o sistema plantio direto (SPD), no qual os terraços continuam sendo usados para ordenar o fluxo de água. Os pesquisadores identificaram falhas hidráulicas e rompimentos nos sistemas avaliados, problemas que as medições geométricas estáticas não conseguiam caracterizar de maneira suficiente.
Redesenho ampliou a retenção de água e foi validado em campo
Para elaborar as propostas, a equipe utilizou modelos digitais de elevação obtidos por drones e o software Terraço 4.1, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa. Na área estudada, o projeto substituiu 43 terraços considerados ineficientes por 29 estruturas reprojetadas.
Com o redimensionamento de terraços, a altura média passou de 0,26 metro para 0,72 metro. A capacidade de retenção de água também aumentou: foi de 22 milímetros para 71 milímetros, conforme os dados apresentados pela Embrapa Soja.
O espaçamento foi ajustado levando em conta o porte das máquinas agrícolas contemporâneas. A distância horizontal média entre os terraços passou de 28 para 51 metros, enquanto o espaçamento vertical ficou em cerca de 3 metros; segundo Franchini, máquinas maiores e mais pesadas dificultavam manobras entre as estruturas tradicionais e aumentavam o tráfego e a compactação do solo.
A validação indicou que as estruturas redesenhadas interceptam com mais eficiência o fluxo de água e de sedimentos. Os pesquisadores associaram o desempenho observado à combinação entre o dimensionamento das estruturas e os parâmetros hidrológicos empregados no planejamento.
Capacidade Estrutural Relativa orienta o diagnóstico dos sistemas
Em outro estudo, o pesquisador da Embrapa Soja Henrique Debiasi apresentou o conceito de Capacidade Estrutural Relativa (CER) para avaliar o desempenho hidrológico dos sistemas de terraceamento. O cálculo considera o volume de água que um terraço consegue armazenar e o escoamento superficial gerado pela chuva.
Com base na CER, as estruturas podem ser classificadas em três condições: seguras, marginais e sujeitas a falhas. Debiasi explicou que a categoria marginal identifica sistemas que operam próximos ao limite de colapso estrutural e que podem ser sensíveis às condições hidrológicas e às práticas de manejo do solo.
Essa classificação permite distinguir situações em que o manejo do solo é suficiente daquelas que exigem intervenções estruturais, como o redimensionamento ou a reconfiguração do terraceamento. Segundo os pesquisadores, a metodologia oferece subsídios para decisões técnicas sobre reformas e pode apoiar a gestão preventiva e o planejamento de ações de conservação do solo e da água em bacias hidrográficas do Paraná.


